Weekly Update Under the Sun Opposing Pluto
Atualização Semanal sob a Oposição do Sol a Plutão
Dear Readers,
This week’s Sun–Pluto opposition, underlined by the New Moon on Thursday, brought a heavy sky — and heavy themes. From Trump’s interest in Brazilian rare earths to the darker videos I uploaded, evil and complicity became unavoidable questions. I spoke of ritual sacrifice, metaphysical necessity, erotic worship, and religious power in Brazil. The semester also ended at the University of Brasília — and with it, my seminar on Plotinus III.7, now fully available online.
📚 Table of Contents
🎥 New Videos: Erotic Divinity, Proclus on Evil, Brazilian Theocracy, Olavo’s Legacy, and Neoplatonic Virtue
🌀 Plotinus on Absolute Presence and Time
📚 Translation Watch: Plato, Mahabharata, Georgics, Roland, Genet, Chaldean Oracles
🇧🇷 Eudoro de Sousa and the Orphic Roots of Brazilian Philosophy
🎥 New Videos
Sexo Gay é Bom XVIII: O Deus do Amor Erótico
In this video, I present an experiential and philosophical argument: erotic love may be the presence of a god as it taps into an organized objective reality that points to a value known in a primordial affect. Building on the Gays, Queers e o Bem Comum and the Sexo Gay é Bom series I propose that erotic preference is not a subjective whim, but a grasp of a really existing world of desire and beauty with its own laws - its own nous - which organizes the world with a view to Eros itself. The video also expands on earlier discussions of polytheistic metaphysics and the nameless Gods.
Resposta a um Leitor: Proclo e o Mistério do Mal
Why must evil exist? Responding to a reader’s question, I explore Proclus’ esoteric teaching of the necessity of evil. Topics include Achilles’ ritual killing of Trojan captives, animal suffering, and the metaphysical function of hierarchy. I also discuss how this ancient view contrasts with our current evolutionary optimism.
Apocalipse nos Trópicos: Estado Laico, Cristão ou Multireligioso?
A reaction to Petra Costa’s new Netflix documentary on Brazilian NeoPentecostalism in politics. I argue that religion need not be confined to the private sphere and defend a vision of a plurireligious state — one that supports not neutrality, but multiplicity, including the cult of local spirits and indigenous practices.
Olavo de Carvalho e o Mal na Filosofia
A personal journey from student to critic of the controversial philosopher. I reflect on how philosophy itself — when too attached to abstract unity — can become complicit with evil. This is not just a political point, but a metaphysical one: when values are absolutized without the balance of multiplicity, even reason can betray us.
Neoplatonic Virtue: Iamblichus' Curriculum and Proclus' Philosophical Nature
We study the Neoplatonic canon for reading Plato, as outlined in the Anonymous Prolegomena, and begin reading Marinus' Life of Proclus, focusing on Proclus’ natural and bodily virtues. Topics include the role of the Phaedrus and Symposium in Neoplatonic theology, the hierarchy of virtues, the beauty of the body, and why being a naive nerd is metaphysically advantageous. (Paid subscribers will be getting a class report later this week)
🌀 Plotinus on Absolute Presence and Time
https://www.youtube.com/playlist?list=PLhEHP9y3ON4rV-pqKIsGJe4tEKGYp0a7h
I have just released the full seminar on Plotinus III.7 [45] that I was teaching during the semester. A short description:
What is presence? Is it simply the fleeting moment between past and future, or something more fundamental than time itself? And if prior to time, is presence prior to all things — or must it too have a foundation?
In this course, we studied Plotinus’ treatise On Eternity and Time as a response to the Heideggerian erasure of presence. Plotinus develops a groundbreaking theory of aion as absolute presence and time as an intrinsic, immanent power of the soul. The first sessions cover mythic and philosophical antecedents, including Hesiod, Parmenides, Plato’s Timaeus, and Aristotle. Each chapter of Plotinus’ treatise is then read in a new working translation, with discussion of the metaphysical and theological stakes of each step.
📚 Translation Watch
As I mentioned in a recent video and also a previous stack, I am quite excited to be working in Brazil in part because the intellectual life seems so virbrnt, there are constantly interesting things being published, especially translations. Here are a few that caught my eye this week:
Plato’s Phaedo, trans. Gabriele Cornelli (Penguin–Companhia):
https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582852255/fedon
An accessible translation with a major bonus: the section “Para uma tradução bárbara de Platão” from his introduction, where Cornelli defends the use of a contemporary Brazilian vernacular in philosophical translation.
Mahabharata - A História de Savitri & Virgil’s Georgics, trans. coming from Editora Mnema:
https://www.editoramnema.com.br/livros/historia-de-savitri-mahabharata
https://www.editoramnema.com.br/livros/georgicas-virgilio
Chanson de Roland, Ateliê Editorial:
https://atelie.com.br/produto/cantar-de-roldao-o/
Jean Genet’s Heliogabalus, Editora Ercolano:
https://ercolano.com.br/loja/produto/heliogabalo/
Chaldean Oracles (in progress): Tomaz de Tassis has published an article on the translation of the Oracles: https://revistas.ufrj.br/index.php/logos/article/view/53147
In a Facebook post, he added that he already has 70% of the work translated and commented adn that he hopes to publish it by early 2027! This will complement nicely the recent volume of theological poetry published by Editora Madamu, Hinos Antigos, including translations of hymns by Proclus, Callimachus, the Orphic Hymns and the Homeric Hymns, and the recent translation of the Corpus Hermeticum by David Pessoa de Lira.
🇧🇷 Eudoro de Sousa and the Orphic Roots of Brazilian Philosophy
Thanks to my student Bruno Borges, I’ve finally read some of Eudoro de Sousa’s early texts on Orpheus, mythology, and the history of philosophy:
“Orfeu e os comentadores de Platão” (1950)
“Orfeu, ou acerca do conceito da filosofia antiga” (1953)
Both are available in:
Origem da Poesia e da Mitologia e outros ensaios dispersos, org. Joaquim Domingues, apresentação de Paulo Borges. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2000.
These essays reject the idea that myth precedes reason; instead, they defend myth as a perennial source of philosophical insight. Neoplatonism — especially Proclus — is central to Eudoro’s argument, making him a vital figure in the lineage of Romantic Philology in Brazil, alongside Vicente Ferreira da Silva.
Caros Leitores,
🌞 Atualização Semanal sob a Oposição do Sol a Plutão
Caros leitores,
A oposição entre Sol e Plutão nesta semana, intensificada pela Lua Nova na quinta-feira, trouxe um céu pesado — e temas igualmente pesados. Do interesse de Trump pelas terras raras brasileiras aos vídeos densos que publiquei, o mal e a cumplicidade tornaram-se questões inevitáveis. Falei de sacrifício ritual, necessidade metafísica, culto erótico e poder religioso no Brasil. O semestre também chegou ao fim na Universidade de Brasília — e com ele, meu seminário sobre Plotino III.7, agora disponível na íntegra online.
📚 Sumário
🎥 Novos Vídeos: Divindade Erótica, Proclo e o Mal, Teocracia Brasileira, Legado de Olavo e Virtude Neoplatônica
🌀 Plotino sobre a Presença Absoluta e o Tempo
📚 Ronda de Traduções: Platão, Mahabharata, Geórgicas, Rolando, Genet, Oráculos Caldeus
🇧🇷 Eudoro de Sousa e as Raízes Órficas da Filosofia Brasileira
🎥 Novos Vídeos
Sexo Gay é Bom XVIII: O Deus do Amor Erótico
Neste vídeo, apresento um argumento filosófico e experiencial: o amor erótico pode ser reconhecido como a presença de um deus, pois acessa uma realidade objetiva organizada, orientada por um valor que se manifesta em afetos primordiais. Dando continuidade às séries Gays, Queers e o Bem Comum e Sexo Gay é Bom, proponho que a preferência erótica não é mero capricho subjetivo, mas um vislumbre de um mundo real de desejo e beleza com suas próprias leis — seu próprio nous — que organiza o mundo em função do próprio Eros. O vídeo também retoma discussões anteriores sobre metafísica politeísta e os deuses sem nome.
Resposta a um Leitor: Proclo e o Mistério do Mal
Por que o mal precisa existir? Em resposta à pergunta de um leitor, exploro o ensinamento esotérico de Proclo sobre a necessidade do mal. Temas abordados incluem o sacrifício ritual de prisioneiros troianos por Aquiles, o sofrimento animal e a função metafísica da hierarquia. Discuto ainda como essa visão antiga contrasta com o otimismo evolutivo moderno.
Apocalipse nos Trópicos: Estado Laico, Cristão ou Plurirreligioso?
Reação ao novo documentário de Petra Costa na Netflix sobre o neopentecostalismo na política brasileira. Argumento que a religião não precisa estar confinada ao espaço privado e defendo uma visão de Estado plurirreligioso — que apoie não a neutralidade, mas a multiplicidade, incluindo o culto aos espíritos locais e às práticas indígenas.
Olavo de Carvalho e o Mal na Filosofia
Uma jornada pessoal de aluno a crítico do filósofo controverso. Refleto sobre como a própria filosofia — quando excessivamente apegada à unidade abstrata — pode tornar-se cúmplice do mal. Não se trata apenas de uma crítica política, mas metafísica: quando valores são absolutizados sem o equilíbrio da multiplicidade, até a razão pode nos trair.
Neoplatonic Virtue: Iamblichus' Curriculum and Proclus' Philosophical Nature
Estudamos o cânone neoplatônico para a leitura dos diálogos de Platão, conforme apresentado nos Prolegômenos Anônimos, e iniciamos a leitura da Vida de Proclo de Marinos, com foco nas virtudes naturais e corpóreas de Proclo. Discutimos o papel do Fedro e do Banquete na teologia neoplatônica, a hierarquia das virtudes, a beleza do corpo e por que ser um nerd ingênuo é vantajoso metafisicamente. (Relatório de aula será enviado aos assinantes pagos ainda esta semana)
🌀 Plotino sobre a Presença Absoluta e o Tempo
https://www.youtube.com/playlist?list=PLhEHP9y3ON4rV-pqKIsGJe4tEKGYp0a7h
Acabo de publicar a íntegra do seminário sobre Plotino III.7 [45], ministrado durante o semestre. Uma breve descrição:
O que é a presença? Seria apenas o instante fugaz entre o passado e o futuro, ou algo mais fundamental do que o próprio tempo? E, sendo anterior ao tempo, seria também anterior a todas as coisas — ou exigiria um fundamento?
Neste curso, estudamos o tratado Sobre o Tempo e o Aion de Plotino como resposta ao apagamento heideggeriano da presença. Plotino desenvolve uma teoria inovadora do aion como presença absoluta e do tempo como poder intrínseco e imanente da alma. As primeiras aulas abordam antecedentes míticos e filosóficos como Hesíodo, Parmênides, o Timeu de Platão e Aristóteles. Cada capítulo do tratado de Plotino é então lido em tradução inédita, com discussão dos seus desdobramentos metafísicos e teológicos.
📚 Ronda de Traduções
Como mencionei recentemente em vídeo e no Substack, estou bastante empolgado em trabalhar no Brasil, em parte porque a vida intelectual aqui é vibrante — há sempre coisas interessantes sendo publicadas, especialmente traduções. Eis algumas que me chamaram a atenção esta semana:
Fédon, de Platão, trad. Gabriele Cornelli (Penguin–Companhia):
https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582852255/fedon
Uma tradução acessível, com um bônus importante: o ensaio “Para uma tradução bárbara de Platão”, onde Cornelli defende o uso do vernáculo brasileiro contemporâneo na tradução filosófica.Mahabharata – A História de Savitri & Geórgicas, de Virgílio, traduções vindouras pela Editora Mnema:
https://www.editoramnema.com.br/livros/historia-de-savitri-mahabharata
https://www.editoramnema.com.br/livros/georgicas-virgilioCantar de Roldão, Ateliê Editorial:
https://atelie.com.br/produto/cantar-de-roldao-o/Heliogabalo, de Jean Genet, Editora Ercolano:
https://ercolano.com.br/loja/produto/heliogabalo/Oráculos Caldeus (em andamento): Tomaz de Tassis publicou um artigo sobre sua tradução: https://revistas.ufrj.br/index.php/logos/article/view/53147
Em postagem no Facebook, afirmou já ter 70% da obra traduzida e comentada e pretende publicá-la até o início de 2027! Será um ótimo complemento ao recente volume Hinos Antigos, publicado pela Editora Madamu, com traduções de hinos de Proclo, Calímaco, Orfeu e Homero, além da nova tradução do Corpus Hermeticum por David Pessoa de Lira.
🇧🇷 Eudoro de Sousa e as Raízes Órficas da Filosofia Brasileira
Graças ao meu aluno Bruno Borges, finalmente li alguns dos textos fundacionais de Eudoro de Sousa sobre Orfeu, mito e história da filosofia:
“Orfeu e os comentadores de Platão” (1950)
“Orfeu, ou acerca do conceito da filosofia antiga” (1953)
Ambos estão reunidos em:
Origem da Poesia e da Mitologia e outros ensaios dispersos, org. Joaquim Domingues, apresentação de Paulo Borges. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2000.
Nesses ensaios, Eudoro rejeita a ideia de que o mito precede a razão. Defende o mito como fonte perene de pensamento filosófico. O neoplatonismo — especialmente Proclo — ocupa lugar central na argumentação, fazendo de Eudoro uma figura-chave na linhagem da filologia romântica no Brasil, ao lado de Vicente Ferreira da Silva.




